Dissertações

2021

Caroline da Costa Silva

Título: “Descendência africana expressada no meu canto”: o pretoguês no rap nacional feminino

Orientador(a): Profa. Dra. Adriana Carvalho Lopes

Ano da defesa: 2021

Páginas: 134

Resumo

Nesta pesquisa, mostro como algumas produções do rap feminino nacional constitui o que caracterizo como sendo “pretoguês” (GONZALES, 1988), ou seja, performances linguísticas que trazem rastros (DERRIDA, 1973) de africanização – violentamente silenciadas, mas inapagáveis – na imaginação do português do Brasil. Situado no campo indisciplinar da Linguística Aplicada (MOITA LOPES, 2006), este trabalho compreende a língua pelo viés da Nova Pragmática (SILVA; FERREIRA; ALENCAR, 2014), isto é, não como uma código neutro, mas como performances linguísticas formadas por processos socio-históricos e relações de poder. Desse modo, compreendo o rap nacional feminino como um gênero musical da diáspora africana (GILROY, 2001) por meio do qual jovens negras periféricas do universo hip-hop encenam suas próprias experiências e as suas formas de agir no mundo. Utilizando a “etnografia do texto” não apenas como método, mas como perspectiva teórica (BLOMMAERT, 2008), analiso três videoclipes disponíveis na plataforma do Youtube, “Do batuque ao bass” de Gabz, “Preta Cabulosa” de Kmila CDD e “É hype” de MC Soffia. Nesta análise, compreendo que textos trazem historicidade, ou seja, textos entextualizam (BAUMAN; BRIGGS 1990 [2006]) ou trazem índices (SILVERSTEIN, 2006) de outros contextos e projetam outros futuros. Assim, o “pretoguês” dessas produções artísticas encena a temporalidade afrofuturista e afropessimista (FREITAS; MESSIAS, 2018; WOMACK, 2013), construindo uma nova relação com o passado e com a memória africana, reinventando novos futuros para as juventudes negras do mundo contemporâneo.

Palavras-chave: Rap nacional feminino; Pretoguês; Língua; Diáspora africana.

2019

Luana Fontel Souza

Título: Mães na universidade: performances discursivas interseccionais na graduação

Orientador(a): Profa. Dra. Adriana Carvalho Lopes

Ano da defesa: 2019

Páginas: 102

Resumo

Reconhecendo a entrada e permanência de mulheres nas Ciências, em especial as de grupos historicamente silenciados, como uma possibilidade de reencenar modos de produzir conhecimento hegemonicamente patriarcais, brancos e eurocentrados, este trabalho busca refletir sobre as relações entre maternidade e universidade, considerando aqui essa sujeita denominada “mãe” como uma identidade produzida interseccional e politicamente através dos discursos de gênero. A partir da análise da relação entre mulheres mães graduandas e as políticas organizacionais do espaço universitário, dentre outras cenas, como a doméstica ou a virtual em que estas sujeitas se inscrevem, esta dissertação objetiva demonstrar os discursos que circulam nesses espaços acerca da maternidade bem como perceber as ideologias sobre gênero e linguagem a que se alinham e projetam. Para isso utilizo além da análise linguística as ferramentas interpretativas etnográficas para uma pesquisa via Whatsapp, possibilidades metodológicas que resultam de um campo de estudos da linguagem, a Linguistica Aplicada, que demostra a riqueza de pensar o campo social através de um locus interdisciplinar.

Palavras-chave: maternidade, universidade, interseccionalidade, discurso.

Manoela Tavares Carvalho da Silva

Título: “Vamos voltar para a matéria?” Ideologia linguística da neutralidade no ensino de língua portuguesa

Orientador(a): Profa. Dra. Adriana Carvalho Lopes

Ano da defesa: 2019

Páginas: 99

Resumo

Algumas pedagogias de ensino veem a língua como um objeto circunscrito e limitado ao estudo da gramatica normativa, o que remete a um modelo dominante, linear e descontextualizado de língua e, consequentemente, seu ensino. Em direção oposta, numa discussão sobre ideologias linguísticas, adotamos neste trabalho o pressuposto de que a língua é uma performance situada (em trajetória) social e historicamente. Desta maneira, esta dissertação se estabelece numa relação entre linguagem e educação, com a finalidade de compreender como se dá a mobilização – por professora, alunos e pesquisadora – de ideologias linguísticas em trajetórias de socialização e práticas de
letramentos ao longo das aulas de Língua Portuguesa, de uma turma do segundo ano do ensino médio, em uma escola pública federal. Para isso, realizamos uma pesquisa de base etnográfica, tendo como fonte de dados: anotações em um diário de campo e transcrição de uma aula que discutia questões do Enem (2018). Os dados indicaram que o entendimento de língua ultrapassava uma visão de código ou sistema de signos, com mobilização de ideologias sobre língua no desenvolvimento de reflexões sobre literatura, que ocorriam concomitantes a outras ideologias mobilizadas em debates de cunho político social. No entanto, era manifestada a compreensão que tais debates não faziam parte de uma discussão de Língua Portuguesa, sendo entendidos por vezes como desvios da aula, o que em nossa interpretação indica uma ambivalência em termos de ensino, uma vez que se realizava aulas encarando a língua no contexto de seu uso, mas não numa dimensão política. Considerando que não há produções sociais apolíticas – por exemplo, no cerne das aulas observadas, pode não ser coincidência que nossos cânones da literatura sejam predominantemente homens brancos – uma possível contribuição deste trabalho está na reflexão sobre língua e letramento em uma perspectiva social que envolva uma reflexão sobre texto (dos mais diversos) de forma articulada com a compreensão de mundo, podendo, no cenário atual, favorecer e situar questões políticas (no sentido da não neutralidade) no ambiente escolar e em aulas de Língua Portuguesa.

Palavras-chave: ideologias linguísticas, letramentos, trajetórias de socialização.